Um repto para o Lino, com um apertado abraço!
Lembrando o Ruy Cinatti!
O Ruy Cinatti numa das visitas que fez ao Casal Sá Marques (1985)
O Ruy Cinatti, durante anos, visitava-nos acidentalmente, mas com alguma frequência, na antiga Associação Protectora dos Diabéticos. Morava na Travessa da Palmeira, e de manhã cedo saia de casa, passava pelo Jardim do Príncipe Real, onde apanhava uma flor que colocava na lapela, rezava na Igreja de S. Mamede, e ia bater à porta do n.º 113 da Rua do Salitre. Era recebido por todos carinhosamente! Mas os seus ouvintes certos eram o Nuno Castel-Branco, o Lino Fernandes da Silva e o João José Nabais Governo, que registavam com prazer as suas histórias, e tambem o apoiavam e aconselhavam quando aparecia adoentado. Na sua última visita, em Outubro de 1986, apareceu ofegante e com acentuda opressão torácica. Depois de ser observado, o Lino acompanhou-o ao Serviço de Cirurgia Torácica do Hospital de Santa Marta, onde se comprovou a necessidade da extração do liquido pleural, e onde ficou internado, ao cuidado do Colega Rui Bento, então director do serviço, ai passando os últimos dias de vida.
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Fotografia tirada pelo Ruy Cinatti em 9 de Outubro de 1984 - Da esq. para a dir. - Nuno Castel-Branco, Manuel Sá Marques, João Governo e Lino da Silva
Quando conheci o Ruy Cinatti, recordo-me bem, referi o facto de meu Avô Bernardino Machado ter fundado o ensino da Antropologia em Portugal, quando por sua iniciativa as aulas de agricultura e economia rural, que então eram ministradas na Unversidade de Coimbra, foram substituidas na mesma cadeira pelas de antropologia. O Ruy Cinatti que era licenciado em agronomia, tornou-se um antropólogo de méritos reconhecidos.
Mas hoje Ruy Cinatti é mais conhecido como um dos nossos poetas contemporâneos. Foi através da poesia que manifestou a sua vasta cultura e enorme sensibilidade!
O Lino vai certamente colaborar neste bloque, contando-nos as histórias que ouviu. Este é o meu pedido!...
Hoje quero registar uma das folhas que o Ruy Cinatti dactilografava para distribuir pelos seus amigos, uma das dedicadas às flores (a sua "Flora de Portugal"), aquela que se refere ao
Junquilho e em que sou citado com tanta ternura.