quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015



 
Alberto Sá Marques de Figueiredo



Uma recordação de meu Pai


Meu Pai, Alberto Sá Marques de Figueiredo, era Presidente da Associação de Cegos Louis Braille, quando da reunião internacional  realizada em Montevideo, no ano de 1951, em que Portugal foi representado pelo Professor Albuquerque e Castro. Meu Pai enviou uma Mensagem, de que encontrei o original no espólio recolhido por minhas Irmãs.

 
 
 
 
 
 
 
 



 
 
 
Meu Pai lendo em Braille, com o António Manuel Estanco Louro,
saudoso e querido Amigo, em 1954



 
 
"O SISTEMA BRAILLE NA LÍNGUA PORTUGUESA

O Braille foi adaptado à língua portuguesa em 1880 e o primeiro sistema de abreviaturas, introduzido em 1905, em Portugal.
No Brasil, o Braille da língua portuguesa por extenso foi introduzido na primeira escola para cegos, criada em 1854, o Instituto Benjamin Constant, do Ministério da Educação. Essa escola foi a primeira a utilizar o sistema Braille na América Latina.
O sistema Braille usado em Portugal e no Brasil é o mesmo, tendo havido para isso a assinatura de diversos acordos entre os dois países. O primeiro deles, promovido pela UNESCO em Montevideo, em 1951, estabelecia a unificação das abreviaturas grau 2 da língua portuguesa, tendo sido assinado por delegados brasileiros e portugueses e referendado pelo então Conselho Mundial para o Bem-Estar dos Cegos, hoje União Mundial de Cegos."


sábado, 17 de janeiro de 2015


 
Quando li este artigo do jornal "O Público" recordei o  meu Mestre Doutor Ernesto Roma, incontestavelmente um pioneiro da EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE, e o seu livro "A Alimentação na Educação Física e no Desporto"
 
 

 


 
  
Assistência à conferência efectuada na Escola de Educação
Física do Exército em 25 de Abril de 1934

Identificados - Ten. António Quintino da Costa, Maj. Joaquim G. Mendes J. ,
Ernesto Roma. Maj. José Lúcio de Sousa Dias, Dr. Salazar Carreira,
Cap. Fernando Dinis de Ayala, Alf. Celestino Bernardo Feliciano Borges Pereira,
Ten. Jaime Arnaldo da Veiga Cardoso, Maj. Viriato da Fonseca Rodrigues

Fotografia retirada do acervo da Torre do Tombo


 

Doutor Ernesto Roma na Associação Protectora dos Diabéticos Pobres
1934
 

 

terça-feira, 4 de junho de 2013







Foi reconfortante ter colaborado no livro do Dr. Luís Damas Mora - O "Espírito dos Hospitais Civis"! Centenas de colegas o abraçaram no lançamento deste volume,  realizado na sacristia do Hospital de S. José, no passado dia 30 de Maio.









Para ler o texto clicar por duas vezes sobre as imagens.


































































domingo, 16 de dezembro de 2012





Minha prima Sofia teve a gentileza de me oferecer  uma "Seara Nova", o nº. 1423, de Maio de 1964, que o irmão Aquilino encontrou entre a "papelada" do Pai Aquilino. Já não me lembrava do artigo "Os Médicos e a Nação". Escrito há quase meio século!...






sexta-feira, 7 de dezembro de 2012




Recordando a minha primeira viagem a África como "médico de bordo" do navio "Amboim"

Para o Carlos Maciel com um apertado abraço!

 O Amboim



Dois anos após a minha formatura , suspendi o estágio no Hospital de Arroios, onde frequentava o serviço de medicina dirigido pelo Dr. Aníbal de Castro, e embarquei no navio Amboim, como "médico de bordo", assim realizando o meu desejo de visitar as nossas colónias, e ajuizar a possibiidade de futuramente concorrer  ao quadro médico ultramarino, nessa data uma das possibilidades de "viver da medicina". Tive o apoio do Comandante Bezerra, que  simpáticamente me recebeu nos serviços de pessoal da Companhia Colonial de Naveção. Recordo que passadas duas semanas depois do nosso primeiro encontro, me acompanhou à Capitania de Lisboa e  fez um "rol" do que devia adquirir para a viagem. Quando lhe referi o seu desconhecimento a meu respeito, respodeu: "Andei 30 anos no mar, conheço os homens como as minhas mãos!..." Era um homem afável que conservo entre as minhas relações inesquecíveis!
Fiz assim parte da equipagem do navio na sua primeira viagem na carreira de África, que teve início no dia 21 de Julho de 1949, e durou cerca de tres meses. Transportou  para Angola e Moçambique 32 passageiros, razão que obrigava a completar o número de oficiais de bordo com um médico. De Lisboa fomos a Leixões onde embarcaram 16 pescadores da Póvoa do Varzim, que durante a viagem para Lourenço Marques pintaram a sua traineira , a que deram o nome de Gabriel Teixeira, o Governador Geral de Moçambique nessa data.
Fiquei o conhecer Luanda, Lobito, Moçamedes, Cidade do Cabo, Lourenço Marques, a ilha de Moçambique, Beira e Porto Amélia.
Passado um ano  voltei a embarcar para outra viagem, desta vez às ilhas de Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe e Angola, no navio/motor "Ganda" (irmão gémeo do Amboim).  Mas ambadonei a ideia de concorrer ao quadro médico do ultramar... Já recordei, num anterior blogue, esta viagem de 1950, no Ganda.




 
 No Amboim com o Capitão Sebastião de Caires, que viajava para Moçamedes, chefiando uma eqipa de topógrafos

 Com o Primeiro-piloto do Amboim defronte da Cidade do Cabo

Na Ilha de Moçambique sentado num "rickshaw"





Fotografia do "Amboim" que me foi amávelmente cedida pelo "Museu da Marinha"










Do blogue  -  "SHIPS & THE SEA - BLOGUE dos NAVIOS e do MAR"  -  clique aqui - de Luís Miguel Correia, reproduzo, com a devida vénia,  o texo e fotografias sobre o navio Amboim:
"O navio de carga-geral AMBOIM foi o terceiro de quatro cargueiros novos de cerca de 9.000 toneladas de porte bruto adquiridos pela Companhia Colonial de Navegação (CCN) em 1947 e 1948 ao abrigo do programa de renovação da frota de comércio portuguesa conhecido por Despacho 100.
Era exactamente igual ao GANDA, a que nos referimos no artigo anterior e foi construído também em Burntisland. Apresentava castelo de proa, dois mastros e uma chaminé baixa e comprida de navio-motor. Construído para a linha de África, além de carga geral transportava passageiros, dispondo de 10 camarotes com casa de banho privativa, um luxo para a época. Em muitas das viagens transportou nas cobertas indígenas moçambicanos contratados para trabalharem nas roças de São Tomé.
Com a fusão da Colonial com a Insulana em Fevereiro de 1974, ainda chegou a integrar a frota da CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, a nova empresa resultante da união das anteriores em 1974, mas perdeu-se por encalhe em Cascais em Novembro desse ano, devido ao mau tempo e nevoeiro, quando saia de Lisboa para o Mediterrâneo numa viagem que não completou. Durante a última estadia no Tejo foi pintado com as cores da CTM, isto é casco azul escuro, chaminé laranja com duas riscas azuis e uma amarela no meio.
O nome AMBOIM honrava a Companhia do Amboim, uma das três empresas que a 3 de Julho de 1922 constituíram a Companhia Colonial de Navegação no Lobito. O AMBOIM de 1948 foi o segundo navio com este nome na frota da CCN, sucedendo ao AMBOIM original, um navio misto de passageiros e carga com 3.611 TAB, construído em Hamburgo no ano de 1898 para a companhia HAPAG (Hamburg Amerika Linie), com o nome SARDINIA. Em 1914 refugiou-se nos Açores onde foi requisitado pelo Governo Português em Fevereiro de 1916. Serviu então os Transportes Maritímos do Estado com o nome S. JORGE até 1925, quando foi comprado pela Colonial, navegando com o nome AMBOIM até ser desmantelado na Holanda em Janeiro de 1933.
Navio de carga e passageiros a motor, construído de aço, em 1947-1948. Nº oficial: H 356; Indicativo de chamada: CSBY. Arqueação bruta: 5.895 toneladas; Arqueação líquida: 3.311 toneladas; Porte bruto: 9.419 toneladas; Deslocamento máximo: 13.114 toneladas; Deslocamento leve: 3.696 toneladas. Capacidade de carga: 5 porões servidos por 5 escotilhas, com 15.122 m3. Comprimento ff.: 135,00 m; Comprimento pp.: 128,75 m; Boca: 17,98 m; Pontal: 7,79 m; Calado: 8,21 m. Máquina: 1 motor diesel Doxford de 4 cilindros, com 5.074 bhp; 1 hélice. Velocidade: 14,00 nós (15.40 nós vel. máx.). Passageiros: 12 em 10 camarotes. Tripulantes: 32. Navio gémeo: GANDA. Custo: £415.150, cerca de 41.793.144$27.

O AMBOIM foi construído no estaleiro The Burntisland Shipbuilding Co. Ltd., em Burntisland, Escócia, (construção nº 314), por encomenda da Companhia Colonial de Navegação em 1946. A quilha foi assente a 25-02-1947 e o navio foi lançado à água em 12-12-1947 sendo madrinha a Srª. Dª. Maria Luísa Fontes Pereira de Melo Vieira. Entregue à CCN em Burnistland a 21-05-1948, o AMBOIM saiu no dia seguinte para Cardiff (25 a 29-05) para carregar carvão para o Tejo, onde entrou pela primeira vez a 1-06-1948. Registado em Lisboa a 3-06, saiu em 5-06 na primeira viagem a Galveston, onde carregou cereais para Leixões e Lisboa. A segunda viagem, foi igualmente aos EUA (Lisboa 3-08, New Orleans (16 a 28-08), Leixões (11 a 17-09), Lisboa 18-09). Na terceira viagem o AMBOIM foi ao Canadá. A primeira viagem na carreira de África teve início em Lisboa a 21-07-1949, seguindo a bordo carga e 32 passageiros, dos quais 16 pescadores para Luanda, Lobito e Lourenço Marques. Fez escalas em Luanda, Lobito, Moçamedes, Lourenço Marques, Beira, Moçambique e Porto Amélia regressando a Lisboa via Lourenço Marques, Cape Town, Moçamedes, Lobito e Luanda. Operou principalmente nas linhas de África Ocidental e Oriental. Em 1972 passou a escalar regularmente portos do Mediterrâneo no prolongamento da carreira da África Oriental e a 4-02-1974 foi transferido para a CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, por fusão da CCN com a Insulana. Em 11-1974 foi pintado com as cores da CTM, largando de Lisboa a 20-11-74 para Alicante na que seria a sua última viagem, pois ao desembarcar o piloto na baía de Cascais, aproximou-se demasiado de terra sob denso nevoeiro e perdeu-se por encalhe junto ao molhe do Clube Naval. Posteriormente, a 22-01-1975 registou-se um incêndio a bordo que só seria extinto no dia seguinte. O navio foi declarado perda total construtiva e entregue à entidade seguradora, sendo vendido à firma João Luís Russo & Filhos que procedeu ao desmantelamento no local. Registo cancelado a 24-03-1977 após demolição.
Nota: os processos de arqueação dos navios foram sofrendo alterações ao longo dos anos. Nas fichas técnicas das unidades construídas ao abrigo do Despacho 100 entre 1946 e 1955, seguiam-se as regras de arqueação britânicas, sendo os valores das respectivas arqueações bruta e líquida apresentados em toneladas Moorson."

Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia










quarta-feira, 28 de novembro de 2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012





Recordar meus Pais! Saudades!













































Meu querido Manuel:
Só ontem soube por uma notícia de jornal português que aqui me chegou atrasado e trazia a notícia da missa do 7º dia, da morte de tua Mãe. Tenho muita pena de não poder estar aí contigo e dar-te o abraço que te mando por carta. A hospitalidade que os teus Pais tantas vezes me deram na Rua do Passadiço nos anos atribulados da minha adolescência e começo da juventude é uma das recordações mais gratas que conservo desses anos. Era uma casa, uma base, um sítio onde se retemperavam o corpo e o espírito à volta da grande mesa de almoço e jantar na paz que emanava dos teus Pais. Era uma espécie de banho para a alma, uma ilha quase absurda de princípios simples com os quais se deve organizar a vida, absurda no meio de um mundo tortuoso, viscoso e oportunista - provávelmente como todos os mundos. A tua Mãe conservava a candura que a fazia sempre acreditar no que tu lhe dizias - que eu não gostava da fruta ou perguntava porque é que não havia pasteis de Belém. A mentira era uma espécie de doença que afligia certas pessoas infelizes que viviam lá fóra e a maldade, em última análise, não existia. Os teus Pais ficaram sempre, para mim, como os últimos representantes de um mundo que eu já não conheci e que só talvez tenha existido para um pequeno grupo de pessoas, durante uns curtos decénios. Eram pessoas ingénuas como crianças e fortes como árvores.
Estende o meu abraço aos teus irmãos especialmente Luís e Maria Adelaide.
A Teresa manda-te um grande abraço.
E mais outros meus
                                          Zé



Tenho estado a remexer na minha correspondência antiga, e  foi bom ter encontrado esta carta do Zé Cutileiro, que me fez recordar a sua companhia fraternal, quase diária,  durante tantos anos! Foi escrita em 1970, quando estava a preparar o seu doutoramento em Antropologia, no St. Antony's College de Oxoford. Embora a diferença de idades, era muito querido por todos os que nos reuniamos na tertúlia da antiga "Riviera" da Praça dos Restauradores, e onde revelava já  a sua personalidade e cultura multifacetada. Em casa de meus Pais sentava-se ao piano e tocava o  "seu Debussy"... A sua afectividade revela-a na carta que me enviou quando do falecimento de minha Mãe!


O jovem José Cutileiro numa fotografia tirada por seu irmão João